Mais de 2 milhões de brasileiros vivem nos EUA — e o comércio local ainda não fala a língua deles

Os Estados Unidos concentram a maior comunidade brasileira fora do Brasil. Dados da American Community Survey, analisados pelo Migration Policy Institute, apontam aproximadamente 725 mil imigrantes brasileiros no país em 2024. Quando também são consideradas pessoas que declararam ascendência brasileira, a diáspora chega a cerca de 950 mil pessoas. É um público que trabalha, empreende, […]

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Os Estados Unidos concentram a maior comunidade brasileira fora do Brasil. Dados da American Community Survey, analisados pelo Migration Policy Institute, apontam aproximadamente 725 mil imigrantes brasileiros no país em 2024. Quando também são consideradas pessoas que declararam ascendência brasileira, a diáspora chega a cerca de 950 mil pessoas. É um público que trabalha, empreende, consome e mantém hábitos adquiridos no Brasil, inclusive na hora de pagar.

Para Marina Alves, CEO da Brazil Pays, compreender esse consumidor exige mais do que disponibilizar atendimento em português. A experiência de compra também precisa acompanhar mudanças ocorridas no mercado brasileiro nos últimos anos.

“Falar a língua do brasileiro não significa apenas falar português. Significa compreender como ele compra, como utiliza o celular, como espera concluir uma transação e quais facilidades passaram a fazer parte da rotina dele”, afirma Marina.

Essa transformação ajuda a explicar por que os meios de pagamento se tornaram parte importante da experiência de consumo. No Brasil, soluções digitais reduziram etapas e tornaram operações financeiras mais rápidas. Ao viajar ou morar no exterior, parte dos consumidores continua buscando essa simplicidade.

É justamente nessa conexão que atua a Brazil Pays, aproximando empresas e consumidores por meio de soluções voltadas aos pagamentos internacionais. Na prática, um intermediário de pagamento permite criar uma ponte entre quem realiza a compra e quem recebe, reduzindo a complexidade tecnológica envolvida na operação.

“O consumidor não quer conhecer toda a tecnologia existente por trás de uma compra. Ele quer encontrar uma opção que reconheça, realizar o pagamento e receber a confirmação de maneira simples. Nosso trabalho é fazer essa estrutura funcionar nos bastidores”, explica a CEO.

Para o estabelecimento comercial, essa operação envolve diferentes tecnologias. Um gateway de pagamento internacional, por exemplo, funciona como uma conexão tecnológica responsável por encaminhar as informações necessárias para que uma transação seja processada de maneira adequada.

Por trás dessa experiência existe ainda um sistema de processamento de pagamento, responsável por organizar etapas que o consumidor normalmente não percebe.

“Quando a tecnologia funciona bem, ela praticamente desaparece aos olhos do cliente. O consumidor enxerga facilidade, enquanto existe uma estrutura tecnológica trabalhando para que aquela experiência aconteça”, destaca Marina Alves.

O tamanho e o perfil da comunidade também chamam atenção. Em 2024, 73% dos imigrantes brasileiros em idade ativa participavam da força de trabalho americana, índice superior ao registrado tanto entre os imigrantes em geral quanto entre os nascidos nos Estados Unidos. A renda familiar mediana dos lares de imigrantes brasileiros chegou a US$ 87,5 mil naquele ano.

Para a Brazil Pays, esses indicadores reforçam que atender melhor esse público pode representar uma oportunidade comercial para empresas americanas.

“Existe uma comunidade economicamente ativa e conectada entre os dois países. Empresas que compreendem seus hábitos conseguem reduzir barreiras justamente no momento mais importante da relação comercial, que é quando o consumidor decide comprar”, observa Marina.

A questão ganha ainda outra dimensão quando são considerados os brasileiros que não vivem nos Estados Unidos, mas visitam o país para turismo, negócios ou compras. Eles chegam ao mercado americano trazendo referências de uma experiência financeira cada vez mais digitalizada no Brasil.

Nesse cenário, a Brazil Pays busca funcionar como uma ponte entre dois mercados, traduzindo hábitos financeiros brasileiros para uma infraestrutura capaz de atender operações internacionais.

“O comércio não precisa mudar sua identidade para atender o brasileiro. Precisa apenas entender que facilitar a forma como esse consumidor paga também é uma maneira de falar a língua dele”, conclui Marina Alves.